Discussão de Economia Política do Poder volume 1 e 2

No primeiro capítulo do livro Economia Política do Poder, o autor discorre sobre os fundamentos epistemológicos e teóricos que embasam sua argumentação posterior: a teoria crítica e o estudo das organizações.

O referencial teórico baseia-se no pensamento marxista e assume a forma de “uma teoria crítica fundada em uma dialética materialista interdisciplinar” (FARIA 2005, pág.58), no estudo das organizações, batizada de Economia Política do Poder, cujo problema central consiste em “esclarecer em que medida as instâncias (i) ocultas, que operam nos bastidores organizacionais, nas relações subjetivas e no inconsciente individual, e (ii) manifestas, inclusive e especialmente as referentes ao regramento e às estruturas, dão conteúdo às configurações de poder e do controle nas organizações.” (FARIA 2005, pág.28).

Quanto à abordagem metodológica, tem-se uma concepção dialética da construção de conhecimento, que se sustentaria na interação entre sujeito (investigador) e objeto (de investigação), sendo que a metodologia de pesquisa (investigação) dependeria de 3 fatores: da teoria disponível, do sujeito pesquisador e da natureza do objeto de pesquisa. Assim, não se opta por um tipo determinado de pesquisa, por exemplo, pesquisa qualitativa ou quantitativa, e sim se defende que quanto mais amplo o acesso aos dados empíricos e quanto mais diversificadas as formas possíveis de obtê-los, mais rica será a investigação.

A Economia Política do Poder tem como objeto de estudo as relações de poder que se desenvolvem nas organizações produtivas capitalistas, em suas diversas formas de configuração de organização social, considerando seus aspectos de organização formal e de “organização de pertença” (FARIA 2005, pág 36), isto é, considerando desde suas estruturas, normas, regulamentos, divisão de trabalho, até a organização social dos sujeitos no que se referem a símbolos, crenças, valores que representam uma relação de vinculação com àquela organização de pertença, seja essa vinculação espontânea ou planejada, transitória ou duradoura.

Disto tem-se que para a Economia Política do Poder, conforme FARIA (2005), a organização é uma totalidade complexa composta por diversos fatores e processos que compõem a sua realidade, e que, portanto, devem ser levados em consideração ao analisá-las.

Assim, o autor utiliza de um modelo de análise organizacional proposto por Enriquez para categorizar as instancias de análise das organizações. Resumidamente, seriam elas as instancias: (i) Mítica: referente aos mitos de funcionamento da organização, à ordem legitimadora; (ii) Social-histórica: relacionada à trajetória, história e construção social da organização; (iii) Institucional: referentes às normas implícitas e explícitas de regulação social; (iv) Organizacional: referente às práticas cotidianas das normalizações, como por exemplo os processos, hierarquia, metodologia, tarefas, entre outros; (v) Grupal: grupo coletivo no qual se expressam sistemas de valores, sentimentos, ambivalências e relações afetivas; (vi) Individual: relacionada à ação individual, seu comportamento, condutas e papéis na construção social; (vii) Pulsional: processo dinâmico pulsional dual entre pulsões de vida/morte que faz com que a organização tenda para um objetivo ou afaste-se dele. Segundo FARIA (2005) “cada instancia indica uma forma de abordar a realidade complexa” (FARIA 2005, pág. 39) permitindo estudar as organizações a partir de diferentes perspectivas.

Visto que a problemática central da Economia Política do Poder gira em torno das relações de poder que tomam forma e se expressam como controle, cabe, já neste capítulo introdutório, um breve embasamento teórico sobre sua natureza, objetivos, práticas e resultados.

Conforme FARIA (2005), o capital age não só objetivando o aumento de lucro, mais-valia e produtividade, mas engendra também muitas de suas ações ao propósito de perpetuar sua dominação.

Assim, o objetivo do controle do processo de trabalho que, à primeira vista, é o aumento da extração da mais-valia da força de trabalho, diminuindo o tempo necessário para a produção através da utilização de tecnologias físicas e tecnologias de gestão que alteram os métodos de trabalho, acaba por servir duplamente ao capital: não só aumenta sua produtividade e lucratividade como também, ao agir, reforça as relações de dominação.

Neste sentido, FARIA (2005) coloca como sendo a base técnica do controle do capital sobre o processo de trabalho a divisão[1]: divisão social do trabalho, que acaba por englobar uma divisão técnica do trabalho, em que há o parcelamento das operações e o parcelamento do próprio trabalho, trazendo uma divisão entre trabalho manual e trabalho mental, e, mais recentemente, uma divisão internacional do trabalho relacionada com o processo de globalização.

FARIA (2005) escreve que o processo de trabalho é o “conjunto de operações realizadas pelos sujeitos trabalhadores, individual ou coletivamente, de forma organizada com a finalidade de produção de mercadorias” (FARIA 2005, pág. 44), sendo o processo caracteristicamente capitalista quando o objetivo da produção é gerar mais-valia, ou seja, a apropriação do valor excedente. Por organização do trabalho o autor entende a forma como este se encontra estruturado, no caso da organização capitalista do trabalho através da divisão técnica e social e de um sistema disciplinar característico. E às interações objetivas e subjetivas estabelecidas entre os sujeitos durante o processo de trabalho FARIA (2005) dá o nome de relações de trabalho.

Conforme o autor o processo de trabalho encontra-se subordinado ao capital na medida em que a busca pelo aproveitamento máximo da exploração do trabalho alheio leva a uma procura constante por novos modos de produzir que aumentem a produtividade do trabalhador e diminuam (se possível eliminem) o tempo de trabalho morto.

Entende-se que a subordinação do trabalho ao capital pode se dar de duas formas: (i) uma formal, baseada no processo de trabalho que produz mais-valia absoluta, ou seja na extensão da jornada de trabalho, visando aumentar o tempo de utilização não paga da força de trabalho, que ao ser formal e “nascer de diferentes funções econômicas” (FARIA 2005, pág. 47), baseia-se em uma relação puramente monetária e coercitiva com fim de extrair trabalho excedente; e (ii) uma forma real, que se refere à produção de mais-valia relativa, engajando-se no aumento da produtividade, e representa um modo de produção especificamente capitalista de extração de mais-valia.

A forma real de subordinação do trabalho ao capital baseia-se na forma formal e vai além, refinando o processo de trabalho acaba por refinar as relações de trabalho e a estrutura de disciplina que garante sua realização e perpetuação. Assim, se as relações de trabalho enquanto geram mais valia absoluta submetem-se à coerção como ordem disciplinadora, ao se tratar da forma real de subordinação, que tem o aumento da produtividade e a geração de mais valia relativa como sua característica principal, o capital tratará de refinar também seus mecanismos de controle “engendrando formas cada vez mais sutis e sofisticadas, ou ainda, mais sofisticadamente sutis de controle do processo e das relações de trabalho” (FARIA, 2005, pág. 49).

Assim, se em um estágio mais inicial de desenvolvimento do capitalismo as relações formais eram prioritariamente coercitivas, eram também obvias o suficiente para proporcionar aos trabalhadores submetidos ao domínio do capital insatisfação, resistência e enfrentamento. À medida que o sistema econômico e de produção capitalista evolui passa a aprimorar o processo de produção, desenvolvendo tecnologias não só físicas, mas também de gestão, assim, vai se refinando o processo de produção de modo que, não só aumenta-se a produtividade, mas também se diminui a capacidade de resistência, enfrentamento e até mesmo percepção das formas de dominação do capital sobre o trabalhador pelo aprimoramento do controle exercido pelo capital.

Desse modo o controle que em sua primeira instancia é sempre coercitivo, evolui conforme evoluem os processos de produção capitalista e as formas de gestão, para se tornar cada vez mais sutil, exercendo seu domínio através do que FARIA (2005) denomina de seqüestro da subjetividade, em que há a “captura da consciência do trabalhador pelo capital” (FARIA 2005, pág. 50) envolvendo cada vez mais o trabalhador na ideologia do capital e extirpando subjetivamente do trabalhador sua capacidade de enfrentamento.

Cabe como conclusão do estudo realizado nesta resenha uma citação retirada das considerações finais do autor, ao tratar do ponto de vista da Economia Política do Poder no estudo das organizações:

São as relações internas e externas de poder, manifestas em sua forma de controle, em sua ação mediadora de objetivos e desejos e em sua inserção dinâmica e contraditória na sociedade globalizada. As relações de poder tem como finalidade a posse política, o domínio das estruturas organizadas da sociedade, daí a razão de se falar em Economia Política do Poder, pois se trata de compreender a interação entre o movimento da sociedade e do Estado Capitalista Contemporâneo e as lógicas internas da dinâmica organizacional, interação esta necessariamente contraditória, paradoxal e jamais definitiva” (FARIA 2005, pág. 58).

[1] Que serve tanto ao incremento da produtividade alterando o processo de trabalho como cumpre a função de perpetuação das relações de dominação do capital.

O capítulo “Estado e Globalização no capitalismo contemporâneo: os contextos políticos e sócio históricos de análise” traz uma análise sobre o papel do Estado e sua relação com os processos de globalização e globalismo da sociedade contemporânea.

O Estado é entendido como um instrumento de autoridade e poder ao agir em favor de interesses dominantes, ao passo que um Estado realmente democrático deveria representar o conjunto de normas criadas não pela vontade de dominantes, mas pela vontade coletiva, não sendo mais um instrumento para justificar o exercício de uma coação implícita ou explicita, mas uma construção coletiva de regulamentação da vida social. O Estado possui o monopólio legítimo da coerção.

Faria (2008) escreve que o autoritarismo aparece na sociedade atual como um sintoma da civilização industrial, como dominação de uma classe que pode ou não estabelecer pactos e alianças com outras classes. O autoritarismo e as relações de poder estão intimamente relacionados com os sistemas de controle, assim o Estado é uma instituição de controle, representa a ação autoritária do capitalismo.

Intimamente ligado ao domínio do capital, o autoritarismo do Estado, enquanto fenômeno de ordem estrutural, se relaciona com as formas de produção, com a administração, com a classificação social, com a política como função relacionada a uma casta de políticos e com a ideologia como legitimadora da dominação.

Ao traçar o contexto sócio-histórico atual, Faria (2008) traz uma distinção entre globalização e globalismo: Enquanto globalização se refere ao processo de integração das economias nacionais e das organizações produtivas em forma do que se refere como “totalização da economia” (FARIA 2008 pág. 99), o globalismo é descrito como um conceito mais específico, relacionado ao modo de organização econômica, jurídica, política, social, cultural e ideológica que o modo de produção capitalista assume atualmente, conforme o autor “o globalismo é a forma capitalista do recente processo de globalização” (FARIA 2008 pág 99).

O Globalismo é representado como uma era de extremos: de miséria, opressão, injustiça, marginalização social, ao mesmo tempo em que nunca se produziu tanta riqueza, tamanhos avanços tecnológicos, e também privilégios particulares e consumismo.

Outras características importantes presentes no globalismo incluem a tecnologia, e principalmente a tecnologia da informação, como base material da sociedade; a interdependência global; a participação cada vez mais comum de capital especulativo, entre outros, que se relacionam à reestruturação produtiva que se caracteriza por: mudanças na divisão do trabalho; desalojamento de ocupações e geração de novas ocupações de trabalho; mudanças locais x globais; além de exigir uma mudança no perfil da força de trabalho, como melhores qualificações instrumentais por exemplo.

A reestruturação produtiva se compõe de atividades econômicas que, segundo Faria (2008), podem ser classificadas como atividades de núcleo e atividades periféricas, sendo as periféricas estáveis, vulneráveis ou excluídas. Pelo motivo de as periféricas ocorrerem em torno de atividades nucleares, como atividades de suporte e manutenção, o interessante, segundo o autor, é ter como foco de análise as atividades de núcleo e algumas periféricas estáveis para a compreensão das diferentes formas de controle sobre o processo e as relações de trabalho, e para o estudo do desenvolvimento dos mecanismos de controle sobre o processo de trabalho.

Assim, enquanto entende-se o globalismo como um avanço do autoritarismo do capital de uma situação local para uma possibilidade totalitária global, em todos os níveis em que atua, não somente no econômico, mas no jurídico, político, social, cultural e ideológico, percebe-se a ação do Estado, enquanto representante de interesses dominantes do capital, no sentido de legitimar, estruturar e organizar a ação social em congruência com esses interesses, cumprindo seu papel e perpetuando a dominação do capital.

No capítulo 4, FARIA (2008) apresenta a conceituação de poder e relações de poder conforme a abordagem da Economia Política do Poder. Segundo o autor o conceito de poder tem sido usado de forma demasiada ampla e genérica sendo necessário precisar o conceito e examinar as formas de efetivação das relações de poder através da identificação de suas categorias e bases, propondo um conceito especificamente vinculado ao estudo das organizações.

Apresentando uma breve análise conceitual, FARIA (2008), faz um levantamento da conceituação de poder conforme os enfoques sistêmico-funcionalista, Weberiano, do Comportamento humano, Organizacional, Marxista e da Psicossociologia, para em seguida apresentar uma análise crítica destes enfoques na qual aponta suas principais contribuições e fragilidades.

Partindo desse estudo e análise crítica, bem como de estudos anteriores referentes à Economia Política do Poder, FARIA (2008) propõe um conceito com perspectiva interdisciplinar de poder, e relações de poder, tendo como foco as organizações e suas dinâmicas contraditórias, bem como a delimitação de conceitos correlatos (de coerção, autoridade, influência e liderança).

Coerção, coação e repressão: É uma das bases do poder, segundo FARIA (2008), é inclusive a base máxima, consiste na aplicação ou ameaça de sansões, físicas, psicológicas, sócio-culturais que castiga, impõe a restrição de movimentos e reprime a expressão de desejos e sentimentos. É uma forma de controle que se utiliza prioritariamente da força, pressupõe uma legitimação da coerção, normalmente representada por instituições como o Estado e as organizações.

Autoridade: pressupõe uma relação de poder em que um(s) manda(m) e o(s) outro(s) aceita(m) obedecer, conforme a caracterização de Weber, a partir da legitimação dessa autoridade que pode basear-se em três formas: racional-legal (instrumental), tradicional ou carismática.

Influência: diferencia-se da autoridade por pressupor uma reciprocidade em que ambos os sujeitos de uma relação de poder podem se influenciar mutuamente, não é uma base do poder, mas uma manifestação.

Liderança: FARIA (2008) afirma que o conceito de liderança é, com freqüência, erroneamente tomado como conceito de poder. Liderança seria a condição, atributo ou capacidade de um sujeito (individual ou coletivo) de mobilizar outros sujeitos. A liderança é sempre situacional, acontece em um determinado contexto, local e grupo que a legitima. O líder ocupa o lugar do que ENRIQUEZ (1991)[1] caracterizou como do hipnotizador da massa, assumindo para o grupo a função de ideal de ego, através da substituição dos ideais de egos individuais pelo do líder idealizado, que exerce fascínio amoroso.

Poder segundo FARIA (2008) deve ser entendido como uma práxis, que se fundamenta na interação entre sujeitos coletivos, relações de poder, que ocorrem entre classes, categorias ou grupos sociais, sendo uma capacidade de mobilização em torno de relações sociais, de uma classe social, segmento ou grupo, de definir e realizar seus interesses. Por ser uma capacidade deve ser adquirida, desenvolvida e mantida[2]. Os indivíduos assumem papeis dentro das relações de poder a partir de vínculos e atividades que desempenham no coletivo, e dessa forma influindo, coordenando, liderando, representando, organizando e conferindo legitimidade às relações de poder.

O poder pode ser total, relativo ou absoluto conforme a capacidade de um grupo social de definir e realizar interesses autonomamente (poder absoluto), com dependência em relação a outro grupo para realizá-los sem resistência (poder total), ou com oposição e resistências (poder relativo).

Ainda tratando sobre as relações de poder FARIA (2008) escreve que a condição de definição dos interesses coletivos “é atravessada pela relação entre a objetividade e a (inter)subjetividade, entre as individualidades e o campo coletivo em que as mesmas se expressam, de forma que o que se encontra definido é o resultado desta dinâmica, resultado este que também possui sua própria dinâmica contraditória” (FARIA 2008, pág. 145).

O autor escreve ainda que as relações de poder se apóiam sobre quatro bases principais: as articulações políticas, que envolve a ideologia e as instituições, a autoridade, a coerção e o simbólico imaginário, que suporta as ações dos indivíduos.

Conforme FARIA (2008) as relações de poder são fenômenos concretos, que se manifestam de múltiplas formas e que estão em toda parte indo além do que se pode ver, sendo assim fundamental compreender o caráter simbólico que vai além dos aspectos objetivos e subjetivos desta capacidade de mobilização em torno de interesses.

[1] ENRIQUEZ. E.; “DA HORDA AO ESTADO – Psicanálise do Vínculo Social”. Jorge Zahar editor, Rj, 1991.

 

[2] FARIA (2008) escreve que “em termos de exercício o poder somente será contínuo e importante se resultar do acesso do grupo social ao comando das principais estruturas da sociedade e das organizações”. (FARIA 2008 pág. 148), sobre isso escreve ainda nas considerações finais do capítulo: “(…), pois estas (as principais estruturas sociais e organizacionais), tem por finalidade operacionalizar os mecanismos de controle de que o grupo social vai se valer para garantir que seus interesses objetivos e subjetivos sejam os interesses dominantes (FARIA 2008 pág 150).

Já no volume 2 da mesma obra FARIA (2008) faz uma revisão crítica das principais teorias da administração desde a organização científica do trabalho, passando pelo enfoque das relações humanas, o enfoque neoclássico, o enfoque behaviorista, o estruturalista, o enfoque funcionalista dos sistemas sociais até chegar ao enfoque da Teoria Z, os círculos de controle de qualidade, a produção flexível e demais técnicas ditas japonesas de gestão que tem seu maior representante no modelo de gestão Toyotista.

FARIA (2008) escreve sobre o processo produtivo e de trabalho que vem sendo racionalizado ao extremo desde o Taylorismo e o Fordismo, para retirar o proveito máximo da capacidade de produção dos trabalhadores, atuando de modo a ampliar e manter a continuidade do capitalismo.

Tem-se o início da administração com a organização científica do trabalho tendo seus maiores expoentes em Taylor, Ford e Fayol. Esse início se deu num momento histórico em que a industrialização se acentuou e passou a intensificar e a otimizar a produção, com isso instrumentos, aparatos e espaços foram sendo organizados para ampliar a capacidade produtiva dos trabalhadores.

É neste contexto que se desenvolvem as práticas de gestão capitalistas, tratadas neste livro a partir da análise dos modos de produção da organização científica do trabalho até o modelo Toyotista, que representam evoluções em relação uns aos outros no sentido de tornar a dominação que impõem, e o autoritarismo que representam aos sujeitos a elas submetidos, cada vez mais sutis e sofisticados.

Na organização científica do trabalho têm-se modos de produção que se utilizam principalmente de técnicas de ordem instrumental, cuja eficiência pode ser questionada, pois não considera os aspectos subjetivos e emocionais de seu objeto de controle, o trabalhador.

O interesse pelas técnicas de ordem comportamental e ideológica passa a ganhar força a partir do enfoque das relações humanas e mostra-se intensificado no modelo Toyotista de produção, no qual se percebe um esforço em envolver a subjetividade do trabalhador à organização, aliado ao controle instrumental, o que pretende fazer com que, mais que apenas trocar sua força de trabalho por recompensas materiais, o indivíduo encontre recompensas psicológicas e de necessidades sociais na organização, e com isso, que o indivíduo passe a compartilhar dos ideais e objetivos organizacionais e utilize todos os seus esforços para realizá-los, visto que os toma como seus. Assim, com apoio no saber construído pelo enfoque das relações humanas, as organizações passam a atuar tentando integrar o trabalho e a organização, às necessidades sociais e psicológicas dos empregados com o objetivo de obter cooperação e envolvimento, pois, a organização, fazendo acreditar que seus interesses são os mesmos que o dos trabalhadores nela inseridos, geram nestes uma motivação para participar da realização dos objetivos organizacionais.

Percebe-se no Toyotismo o desenvolvimento de práticas que já envolvem o controle da subjetividade do trabalhador. Estas práticas possibilitam atuar no sentido de suprir as necessidades psicológicas e sociais dos indivíduos levando-os a serem envolvidos e comprometidos com a organização a partir do momento em que por identificação seus objetivos pessoais coincidem com os objetivos da organização.

A revisão crítica da teoria geral da administração apresentada por FARIA (2008) demonstra como evoluíram os modelos de produção e gestão no sentido de ampliar o domínio do capital sobre os trabalhadores, ampliando o campo de atuação do controle organizacional, que antes focava o corpo, o ato e o tempo e que, evoluindo, passa a atuar também sobre a subjetividade do indivíduo.

Referencias:

FARIA, JOSE HENRIQUE de; “Economia Política do Poder – Volume 1: Fundamentos”. Edt. Juruá, 5ª. edição, Curitiba, 2008.

FARIA, JOSE HENRIQUE de; “Economia Política do Poder – Volume 2: Uma critica da teoria geral da administração”. Edt. Juruá, 5ª. edição, Curitiba, 2008.

*Resenha realizada sob orientação do Prof. Dr. José Henrique de Faria, na Disciplina de Economia do Poder, Estado e Sociedade, do Mestrado em Administração – Área de concentração Estratégia e Análise Organizacional da Universidade Federal do Paraná em 2008.

 

 

 

 

 

 

 

Camila Bruning

Camila Bruning

professora em nível de graduação no Centro Universitário UNINTER, em Curitiba- PR em Uninter
Doutoranda (previsão de conclusão em março de 2017) e Mestre pelo programa de Administração da Universidade Federal do Paraná na linha de pesquisa "Estratégia e Análise organizacional" (2010). Pós-Graduada em Administração com ênfase em Gestão de Psicologia Organizacional pela FAE- Business School (2007). Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (2005).
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