Discussão de ESTADO CAPITALISTA, GLOBALIZAÇÃO E ORGANIZAÇÃO DAS RELAÇÕES DE PRODUÇÃO

Conforme solicitação de alunos e colegas, e com o intuito de divulgar e incentivar a discussão de textos sobre a temática Processo de Trabalho, Gestão, Poder e Subjetividade, compartilho aqui resenha do texto do Prof. Dr. José Henrique de Faria, intitulado “Estado Capitalista, globalização e organização das relações de produção” de 2013.

O texto intitulado “Estado Capitalista, globalização e organização das relações de produção” discute o globalismo como estado atual do processo de globalização, suas característica e consequências para o mundo do trabalho, bem como o papel e função do Estado como organizador da vida em sociedade e seu papel para o controle social representando e realizando interesses de uma classe dominante.

O Estado é entendido como um instrumento de autoridade e poder ao agir em favor de interesses dominantes, ao passo que um Estado realmente democrático deveria representar o conjunto de normas criadas não pela vontade de dominantes, mas pela vontade coletiva, não sendo mais um instrumento para justificar o exercício de uma coação implícita ou explicita, mas uma construção coletiva de regulamentação da vida social.

O autoritarismo aparece na sociedade atual como um sintoma da civilização industrial, como dominação de uma classe que pode ou não estabelecer pactos e alianças com outras classes. O autoritarismo e as relações de poder estão intimamente relacionados com os sistemas de controle, assim o Estado é uma instituição de controle, representa a ação autoritária do capitalismo.

Intimamente ligado ao domínio do capital, o autoritarismo do Estado, enquanto fenômeno de ordem estrutural, se relaciona com as formas de produção, com a administração, com a classificação social, com a política e com a ideologia como legitimadora da dominação.

Em relação aos conceitos de globalização e de globalismo tem-se que, enquanto globalização se refere ao processo de integração das economias nacionais e das organizações produtivas, o globalismo é descrito como um conceito mais específico, relacionado ao modo de organização econômica, jurídica, política, social, cultural e ideológica que o modo de produção capitalista assume atualmente.

O Globalismo é representado como uma era de extremos: de miséria, opressão, injustiça, marginalização social, ao mesmo tempo em que nunca se produziu tanta riqueza, tamanhos avanços tecnológicos, e também privilégios particulares e consumismo.

Outras características importantes presentes no globalismo incluem a tecnologia, e principalmente a tecnologia da informação, como base material da sociedade; a interdependência global; a participação cada vez mais comum de capital especulativo, entre outros, que se relacionam à reorganização produtiva que se caracteriza por: mudanças na divisão do trabalho; desalojamento de ocupações e geração de novas ocupações de trabalho; mudanças locais x globais; além de exigir uma mudança no perfil da força de trabalho, como melhores qualificações instrumentais por exemplo.

A reorganização produtiva se compõe de atividades econômicas que, segundo o texto, podem ser classificadas como atividades de núcleo e atividades periféricas, sendo as periféricas estáveis, vulneráveis ou excluídas. Pelo motivo de as periféricas ocorrerem em torno de atividades nucleares, como atividades de suporte e manutenção, o interessante, segundo o autor, é ter como foco de análise as atividades de núcleo e algumas periféricas estáveis para a compreensão das diferentes formas de controle sobre o processo e as relações de trabalho, e para o estudo do desenvolvimento dos mecanismos de controle sobre o processo de trabalho.

Assim, enquanto entende-se o globalismo como um avanço do autoritarismo do capital de uma situação local para uma possibilidade totalitária global, em todos os níveis em que atua, não somente no econômico, mas no jurídico, político, social, cultural e ideológico, percebe-se a ação do Estado, enquanto representante de interesses dominantes do capital, no sentido de legitimar, estruturar e organizar a ação social em congruência com esses interesses, cumprindo seu papel e perpetuando a dominação do capital.

O texto ainda traz a discussão a respeito de diferentes teorias econômicas (liberal, keynesiana,  e neoliberal), indicando como mesmo o entendimento teórico a respeito de como governar as questões econômicas molda a prática do estado a serviço do interesse da classe dominante.

Referencia:

FARIA, J.H. “Estado Capitalista, globalização e organização das relações de produção”. PDF, material da disciplina, 2013.

Camila Bruning

Camila Bruning

professora em nível de graduação no Centro Universitário UNINTER, em Curitiba- PR em Uninter
Doutoranda (previsão de conclusão em março de 2017) e Mestre pelo programa de Administração da Universidade Federal do Paraná na linha de pesquisa "Estratégia e Análise organizacional" (2010). Pós-Graduada em Administração com ênfase em Gestão de Psicologia Organizacional pela FAE- Business School (2007). Graduada em Psicologia pela Universidade Federal do Paraná (2005).
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